Um em cada três alunos pensou em largar a escola
Pesquisa Datafolha com 5.296 alunos da rede estadual: 36% pensaram em parar de estudar nos últimos seis meses. O motivo mais citado não é preguiça.

“Pra que eu vou pra escola amanhã? Não vai ter aula de novo.” Seu filho fala isso jogando a mochila no sofá, e você responde no automático que escola não é opcional.
Ele sabe. E talvez já tenha pensado, mais de uma vez, em fazer dela uma opção.
Uma pesquisa divulgada em outubro de 2026 mostra que esse pensamento é bem mais comum do que a gente gostaria. E o motivo mais citado não é o que costuma aparecer na conversa de família.
O que os alunos disseram
O Datafolha entrevistou, pessoalmente, 5.296 estudantes de escolas estaduais públicas de todo o país, entre maio e julho de 2026, metade do fundamental 2 e metade do ensino médio. A pesquisa foi encomendada por um grupo de fundações e institutos de educação, entre eles Fundação Lemann, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação.
O dado que mais chama atenção:
- 36% dos estudantes pensaram em parar de estudar nos últimos seis meses.
- O principal motivo apontado está ligado ao bem-estar emocional: cansaço, estresse e ansiedade.
- Em seguida vem o trabalho: 21% citaram a busca de independência financeira e 17% a necessidade de ajudar na renda da família.
- A escola pesa. Entre quem avalia a própria escola como ótima ou boa, 29% pensaram em parar. Entre quem a avalia como ruim ou péssima, 57%.
E tem um dado que segura a esperança: 94% dos estudantes acreditam que conseguem superar dificuldades de aprendizagem com esforço e apoio.
Uma ressalva sobre o alcance: a pesquisa ouviu só a rede estadual pública. Se seu filho estuda em escola particular ou municipal, os números não falam diretamente dele, mas o padrão vale como alerta.
Do pensamento à saída
Pensar em sair não é sair. Mas o caminho existe, e o IBGE mede o fim dele. Na PNAD Contínua Educação 2025, 7,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos não tinham completado o ensino médio, por terem abandonado a escola ou nunca terem frequentado.
Quando perguntados por quê, 43,0% disseram que precisavam trabalhar e 25,6% disseram que não tinham interesse em estudar, motivo que voltou a subir. O IBGE lê esse aumento como possível desalinhamento entre o que o jovem espera e o que a escola oferece.
E a idade importa. O abandono quase dobra aos 15 anos em relação aos 14, justamente na passagem para o ensino médio, e os picos vêm aos 16, 17 e 18.
Por que o cansaço vem antes da preguiça
Quando um adolescente diz que não quer ir para a escola, a leitura mais rápida é falta de vontade. A pesquisa sugere olhar para o outro lado.
Na lista dos próprios alunos, cansaço, estresse e ansiedade vêm em primeiro lugar.
Soma-se a isso uma escola que nem sempre entrega. Na mesma pesquisa, a maioria dos alunos contou que alguma matéria fica um tempo sem professor, e cerca de um terço diz que os professores faltam com frequência. É difícil sustentar vontade de ir para uma aula que pode não acontecer.
O lado bom aparece no PISA 2025. A parcela de estudantes brasileiros de 15 anos que acham que a escola foi perda de tempo caiu para 16%, abaixo da média da OCDE, de 24%. E quem valoriza a escola fez 35 pontos a mais em Ciências. A maioria ainda acredita que a escola serve. O que pesa é a experiência de cada dia.
O que fazer na prática
Antes de qualquer conversa, quatro perguntas para você mesmo.
Você sabe se ele já pensou nisso? Um em cada três é muita gente. Pergunte direto, num momento calmo: “Já te passou pela cabeça largar a escola?”. Ouvir um sim não é catástrofe. É informação que chega a tempo.
O que está cansando seu filho? Sono curto, jornada longa, trajeto, um trabalho que começou como bico. Se o motivo é emocional, como os próprios alunos apontam, cobrar mais esforço tende a piorar. Diminuir a carga em algum ponto pode ajudar mais do que um sermão sobre o futuro.
Como ele avalia a escola? Peça uma nota de zero a dez, e depois pergunte o que faria a nota subir dois pontos. A diferença entre 29% e 57% mostra que a escola entra na conta. Às vezes a resposta é uma matéria sem professor, um colega, uma turma. Isso dá para levar à coordenação.
Ele vê alguma ponte entre a escola e o que quer? Para quem pensa em sair para trabalhar, a pergunta não é “trabalho ou escola”, é como as duas coisas cabem juntas. Curso técnico, ensino médio integrado, estágio. Mostrar que existe caminho com escola vale mais que proibir o caminho sem ela.
Se o cansaço vier junto com tristeza que não passa, isolamento ou falas sobre não ver saída, isso já é assunto para um profissional de saúde.
Onde o Sidekick entra
O Sidekick não muda a escola do seu filho, e não tem essa pretensão. O que ele faz é dar visibilidade para o que acontece entre a escola e a casa.
As missões de estudo entram na rotina com valor combinado antes, e seu filho vê o esforço virar progresso, em vez de só ouvir que tem que estudar. E ele pode registrar o humor do dia no app, que você acompanha num calendário no relatório. Quando o cansaço começa a se repetir, você enxerga a tendência da semana, não só o dia em que a mochila voou para o sofá.
Para esta semana
Faça a primeira pergunta. Escolha um momento sem pressa, no carro ou no jantar, e pergunte se ele já pensou em largar a escola. Qualquer que seja a resposta, agradeça por ele ter contado.


