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Você ainda pergunta como foi o dia na escola?

No PISA 2025, 51% dos adolescentes brasileiros disseram que os pais perguntam isso toda semana. Em 2022 eram 62%. O que fazer com essa queda.

Equipe Sidekick6 min de leitura
O mentor Theo na capa do artigo sobre conversar com o filho adolescente a respeito da escola

São sete e meia da noite. Você põe a comida na mesa, senta, e faz a pergunta de sempre.

“E aí, como foi a escola hoje?”

“Normal.”

Você tenta mais uma. “Teve prova?” “Não.” Ele olha para o prato, depois para o celular, e o assunto morre ali. Isso se repete na terça, na quarta, na quinta. Em algum momento, sem você decidir nada, a pergunta para de ser feita.

É aí que vale olhar um número que acabou de sair.

O que o PISA 2025 encontrou

Em 8 de setembro de 2026 a OCDE divulgou os resultados do PISA 2025. No Brasil participaram 30.140 estudantes de 15 anos, em 1.053 escolas. Junto com as notas, o relatório mede uma coisa que não é nota: o quanto o adolescente sente que a família acompanha a vida escolar dele.

E esse indicador caiu.

Em 2025, 51% dos estudantes brasileiros disseram que os pais ou responsáveis perguntavam pelo menos uma vez por semana o que eles faziam na escola. Em 2022, eram 62%. A conversa semanal sobre problemas que ele podia estar tendo na escola caiu de 55% para 41%.

Onze pontos percentuais em três anos, numa pergunta que custa dez segundos.

Duas ressalvas antes de você levar isso para o lado pessoal. A primeira é que o dado vem do relato do adolescente, não do seu. Pai e filho costumam contar histórias diferentes sobre a mesma semana. A segunda é que a queda apareceu em quase todos os países que fizeram a prova, não só aqui. Isso não é um defeito da família brasileira.

Ainda assim, o Brasil parte de um ponto mais baixo. O índice de apoio familiar percebido ficou em -0,47, contra -0,19 da média dos países da OCDE.

E o mesmo relatório mostra por que isso importa: os estudantes que discordam da frase “a escola fez pouco para me preparar para a vida adulta” tiram 35 pontos a mais em ciências que os colegas que sentem estar perdendo tempo. Achar sentido na escola tem tamanho, e alguém precisa ajudar a construir esse sentido.

Por que a pergunta morre

A resposta “normal” quase nunca é desinteresse. Ela é o que sobra quando a pergunta é grande demais.

“Como foi a escola” pede que seu filho resuma sete horas, cinco professores, um atrito no recreio e uma nota que ele ainda não quer comentar. Ele faz a conta em meio segundo e entrega a versão barata. Você ouve a versão barata, conclui que ele não quer falar, e pergunta menos na semana seguinte. Ele percebe que você perguntou menos e conta menos. A conversa não acaba por briga, acaba por desgaste.

Esse recuo tem hora marcada. A TIC Kids Online Brasil 2025, do CETIC.br, mostra que conversar com o filho sobre o que ele faz na internet, sempre ou quase sempre, cai de 51% entre os de 13 e 14 anos para 36% entre os de 15 a 17. É a mesma curva, no mesmo período da vida em que os assuntos ficam mais pesados.

Há também uma parte que é sua, e ela é confortável de ignorar. Quando a conversa sobre escola volta, ela costuma voltar como cobrança: já fez a lição, cadê a nota, você estudou para amanhã. Cobrança não é acompanhamento, e seu filho sabe diferenciar os dois desde os onze anos.

O que funciona, segundo quem mediu

Aqui o resultado é contraintuitivo, e vale ler devagar.

Uma meta-análise publicada na Developmental Psychology em 2009 juntou 50 estudos sobre envolvimento dos pais na escola de pré-adolescentes e separou os tipos de envolvimento. O que teve a associação mais forte com desempenho não foi ir à reunião nem sentar junto na lição. Foi o que as autoras chamam de socialização acadêmica: conversar sobre por que aquilo serve, ligar a matéria com o que acontece no mundo, falar do futuro que ele imagina e discutir como ele estuda. Associação de 0,39.

Envolvimento com a escola em si ficou em 0,19. E ajudar na lição de casa apareceu com associação negativa, -0,11.

Esse número negativo pede honestidade. Ele quase certamente não significa que ajudar na lição piora a nota. Significa que pai senta ao lado quando o filho já está indo mal, o que inverte a seta de causa e efeito. O estudo é correlacional e é de 2009. Mas uma revisão de segunda ordem publicada em 2022, que reuniu 23 meta-análises e 1.177 estudos primários de cinco décadas, chegou ao mesmo lugar: as expectativas e as conversas dos pais pesam, e o envolvimento direto com a lição de casa não aparece com efeito.

Ou seja: a conversa vale mais que a supervisão. E ela vale mais quando não é sobre a tarefa de hoje.

Como fazer a conversa voltar

Nada aqui depende de aplicativo nenhum. São perguntas suas, para você.

Você está perguntando ou conferindo? Repare no que sai da sua boca na próxima semana. Se a maioria das frases sobre escola começa com “já” ou termina com “né”, você está conferindo. Conferir é legítimo, só não conte como conversa.

Sua pergunta cabe em uma resposta? Troque “como foi a escola” por algo que tenha bordas. Qual foi a parte mais chata de hoje. O que o professor de história falou que você não entendeu. Quem sentou com você no recreio. Pergunta estreita recebe resposta larga.

Você consegue ouvir sem resolver? Um experimento pré-registrado publicado no Journal of Experimental Child Psychology em 2021 mostrou 1.001 adolescentes britânicos de 13 a 16 anos assistindo a vídeos de um filho contando algo difícil ao pai. A única coisa que mudava entre as versões era a escuta: numa delas o adulto mantinha atenção contínua e sinais de que estava acompanhando, na outra ele se distraía de vez em quando. Quem viu a versão atenta disse que se sentiria melhor e, principalmente, que voltaria a se abrir depois. Esse foi o maior efeito medido no estudo. Vale notar que a versão distraída foi avaliada como neutra, não como ruim: o contraste não era entre escutar e maltratar, era entre escutar e escutar pela metade.

Você já perguntou como ele estuda, e não se ele estudou? No PISA 2025, só 39% dos estudantes brasileiros dizem que planejam com frequência como vão estudar. E pedir ajuda quando não entendeu é, no mesmo relatório, um dos comportamentos ligados a desempenho melhor. São dois assuntos de mesa de jantar, não de plantão de véspera de prova.

Você tem assunto além da escola? Se a única coisa que você pergunta é sobre nota, seu filho aprende que ele é a nota. Cinco minutos sobre o jogo que ele está jogando compram mais do que meia hora sobre a prova.

Onde o Sidekick entra

A parte difícil dessa conversa é ter o que perguntar. “Como foi a escola” é vago porque você não sabe o que aconteceu lá.

No Sidekick, as missões que seu filho cumpre têm categoria, e estudos é uma delas, ao lado de casa, saúde, social, hábitos e dinheiro. Quando ele envia uma missão, ele anexa a prova em texto ou em foto, e isso aparece para você. O que você ganha não é controle, é assunto: dá para perguntar sobre aquela coisa específica que ele fez na quarta, em vez de pedir um resumo da semana.

Para esta semana

Escolha um dia e faça uma pergunta estreita. Uma só, sobre um detalhe que você já sabe que existe.

Depois fique quieto por dez segundos, mesmo que pareça tempo demais. A resposta larga costuma vir no oitavo.

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