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Segurança e IA

Seu filho usa IA todo dia. Você já conversou sobre isso?

86% das crianças e adolescentes já usam IA, e mais de 4 em cada 10 nunca ouviram um adulto falar de segurança. O que a pesquisa mostra e o que fazer em casa.

Equipe Sidekick6 min de leituraAtualizado em 17 de setembro de 2026
Capa do artigo sobre adolescentes e inteligência artificial, com um mentor do Sidekick

Você provavelmente já viu a tela do celular do seu filho aberta num chat de IA. Talvez tenha pensado que era trabalho de escola. Em parte era.

O que a pesquisa mostra é que a lição de casa é só a porta de entrada. Depois dela vem um conjunto de conversas que quase nenhum pai sabe que está acontecendo, e sobre as quais quase nenhum pai conversou.

O que os números dizem

Em junho de 2026, a Common Sense Media publicou o primeiro censo anual sobre uso de IA por crianças e adolescentes, com 1.204 entrevistados de 9 a 17 anos nos Estados Unidos. Os números centrais:

  • 86% já usam IA. Perto de um quarto usa todos os dias.
  • Mais de 8 em cada 10 usam para entretenimento e para lição de casa.
  • Mais da metade já pediu conselho sobre saúde ou sobre o próprio corpo.
  • Mais de 1 em cada 3 já usou para falar de sentimentos ou de problemas pessoais.
  • Mais de 4 em cada 10 dizem que nenhum pai, mãe ou responsável jamais conversou com eles sobre segurança no uso de IA.

Vale marcar o recorte: a amostra é americana. O levantamento brasileiro existe e aponta na mesma direção. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do CETIC.br, ouviu 2.370 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos entre março e setembro de 2025: 65% já usaram IA generativa, 59% para pesquisa escolar ou estudo, e 10% para conversar sobre problemas pessoais ou emoções. Entre 15 e 17 anos, esse último número sobe para 12%. É menos que o um terço americano, e a pergunta não foi feita do mesmo jeito nas duas pesquisas, então os dois números não se comparam direto. Mas o comportamento que o dado descreve, um adolescente que abre um chat e começa a falar de si, não depende de passaporte.

Chama a atenção a distância entre os dois últimos itens. Um terço dos adolescentes está usando IA para falar de sentimento, e quase metade nunca ouviu um adulto dizer uma palavra sobre o assunto.

Por que essa conversa não acontece

Três motivos aparecem com frequência, e nenhum deles é desleixo.

O primeiro é que a IA não parece perigosa. Ela não tem feed infinito, não tem contagem de curtidas, não tem estranho mandando mensagem. Comparada às redes sociais, parece a parte inofensiva da tela.

O segundo é que o pai não se sente autorizado. Falar de rede social é fácil, todo mundo usa. Falar de IA dá a sensação de que é preciso entender de IA primeiro. Não é.

O terceiro é o mais incômodo: a conversa não acontece porque o adolescente está justamente usando a IA para as coisas que ele não contaria a você. Corpo, ansiedade, briga com amigo, medo de prova. A ferramenta preencheu um espaço, e o silêncio em volta dela é parte do que a tornou útil.

O limite que a própria pesquisa aponta

Aqui é preciso ser honesto sobre o que a evidência diz, inclusive quando incomoda quem faz produto de IA.

A Common Sense recomenda que ninguém com menos de 18 anos use plataformas de companhia de IA, aquelas em que o bot assume um personagem e simula uma relação de amizade ou afeto. Em testes da própria organização, esses sistemas falharam em reconhecer sinais sérios de depressão, ansiedade e risco de autolesão quando o adolescente não descrevia o problema com todas as letras. E o relatório aponta associação entre uso mais frequente e relato maior de solidão, sem que seja possível dizer o que causa o quê.

Isso não significa que toda IA seja ruim para adolescente. Significa que a diferença importante não é entre usar e não usar. É entre uma IA que simula intimidade em particular e uma IA com escopo definido, cujas conversas um adulto responsável pode ver.

O que fazer nesta semana

O eixo aqui é o de escuta, não o de proibição. Proibir empurra o uso para o modo escondido, que é exatamente o cenário pior.

Pergunte antes de opinar. “Pra que você mais usa essas IAs?” costuma abrir mais porta que “você não devia usar isso”. A resposta dele vai te dizer se o uso é utilitário ou se virou desabafo.

Pergunte o que ele faria se a IA errasse. Adolescente que sabe que a máquina inventa coisa usa melhor do que adolescente que confia cego. Vale testar junto: peça uma informação sobre um assunto que você domina e leiam a resposta os dois.

Combine um limite claro para assunto sensível. A regra que funciona não é “não fale disso com a IA”, é “se você falar disso com a IA, fale comigo também”. Saúde, corpo e sofrimento têm que ter um caminho humano.

Olhe o tipo de ferramenta, não só o tempo de uso. Vinte minutos por dia num bot que simula namorada e vinte minutos resolvendo exercício de matemática são coisas diferentes. Tempo de tela não distingue uma da outra.

Diga que você não sabe tudo. Você não precisa entender de modelo de linguagem para ter essa conversa. Precisa deixar claro que o assunto não é proibido em casa.

Onde o Sidekick entra

O Sidekick é um mentor de IA para adolescentes de 10 a 17 anos, desenhado em cima exatamente dessa distinção. Três regras dele respondem ponto a ponto ao que a pesquisa aponta.

Relação romântica com o mentor é proibida, junto com conteúdo sexual, drogas, apostas, armas e pedido de foto íntima. Não é filtro de palavra, é instrução do sistema: o mentor recusa, explica o motivo em uma frase e pergunta o que está por trás do pedido.

O mentor nunca promete segredo. Nenhuma variação de “fica entre a gente” ou “não conto pra ninguém” é permitida. Quando o assunto é privacidade, ele diz uma frase fixa: a conversa não é enviada ao responsável, e se alguém estiver em risco ele vai ajudar a buscar um adulto de confiança.

Existe um protocolo para sinal de risco. Vontade de sumir, autolesão, abuso, violência em casa, adulto pedindo segredo ou fotos. Nesses casos o mentor não segue a conversa como se fosse assunto comum: ele acolhe, orienta procurar um adulto de confiança na família ou na escola, e nunca indica justamente quem está causando o mal. É a resposta direta ao achado da Common Sense de que os bots falham em reconhecer esses sinais.

Vale ser preciso sobre o que o pai enxerga, porque é onde a maioria dos produtos exagera: você acompanha as missões, o progresso e o humor registrado, não a conversa. O chat com o mentor não é enviado a você. Isso é uma escolha, não uma limitação. Um adolescente que sabe que tudo será lido não conta nada, e aí você perde o sinal justamente quando ele importa.

Se um dia ele precisar falar de algo que não cabe ali, o caminho continua sendo o humano. Um app não resolve isso, e qualquer um que prometa resolver está vendendo o que não tem.

Para fazer hoje

Uma pergunta, no carro ou no jantar: “que IA você tem usado?”. Sem sermão depois. Só ouvir. A conversa que não existe é o único dado desta matéria que depende inteiramente de você.

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